Cristiano Ronaldo quer mais

Em Neuchâtel, Cristiano Ronaldo é o nome mais pronunciado. Durante o treino de terça-feira, o momento em que entrou em campo serviu de termómetro à sua popularidade. Alguém que estivesse fora do estádio poderia adivinhar facilmente os momentos em que o jogador tocou na bola, arriscou uma incursão em velocidade, solucionou uma finta ou marcou um golo. Porque os aplausos mais efusivos das 12 mil pessoas que encheram as bancadas foram para ele. Esta quarta-feira, o avançado falou com o uefa.com e disse estar confiante num bom desempenho no UEFA EURO 2008™, tanto de Portugal como seu.
Tranquilidade
O primeiro desafio da equipa treinada por Luiz Felipe Scolari está marcado para sábado, frente à Turquia. A tensão aumenta com a aproximação do início do torneio, mas o número 7 da selecção portuguesa afirmou que isso não o tem perturbado. “A nível pessoal sinto-me bem. Sinto que posso fazer muito neste EURO 2008. E penso que a equipa também está bem. Estamos confiantes e ansiosos que o campeonato comece, para podermos dar o nosso melhor e acho que as coisas vão correr bem”, explicou Cristiano Ronaldo.
A responsabilidade da braçadeira
Para o extremo português, a sua responsabilidade, enquanto um dos cinco capitães escolhidos por Scolari, é mais um tónico motivacional do que um factor de ansiedade. “De uma certa forma é bom saber que sou um dos capitães, mas já sou um deles há muito tempo, não é de agora e por isso a responsabilidade é a mesma tendo a braçadeira ou não. O que eu tenho de fazer é ajudar a equipa e dar o meu melhor em todos os jogos”, definiu assim a forma como encara a sua missão no Campeonato da Europa.
Evolução constante
O Bota de Ouro ESM desta época, melhor marcador dos campeonatos europeus, descreveu como positiva a sua evolução pessoal, mas também a da equipa portuguesa, desde o UEFA EURO 2008™. “Penso que a selecção tem crescido bastante, tanto desde o EURO 2004 como desde o Mundial 2006. Nas qualificações a selecção também tem vindo a melhorar muito, também devido ao ’staff’ e ao treinador que temos”, referiu. O segredo desta progressão encontra uma resposta, segundo o jogador, na qualidade dos seus colegas de equipa. “Estamos sempre a aprender e acho que tanto no meu clube como na selecção foi isso que tentei fazer e estou muito contente por isso», acrescentou.
Ambição da história
O avançado não tem escondido a vontade de deixar uma marca indelével na história do futebol mundial. Ao uefa.com afirmou que esta ambição é de uma vida e não pode ser definida apenas por um momento, mas sublinhou que o seu currículo tem já um peso considerável. “Já fiz história no campeonato português e a nível europeu e mundial penso que continuo sempre a fazer história, mas acho que podemos sempre melhorar”, afirmou. Ronaldo garantiu igualmente que a sua margem de progressão está ainda em aberto. “Tenho muito para aprender, muitas coisas em que evoluir e a minha aprendizagem ainda não acabou”, assinalou.
Adeptos e adversários
Se os adeptos olham para Cristiano Ronaldo como um jogador indispensável na selecção portuguesa, o jogador salienta que o apoio que a equipa tem recebido é essencial. “Nunca pensei ver tantos portugueses aqui na Suíça e é espectacular, porque dá-nos motivação para continuar a trabalhar”, apontou. Quanto aos adversários, para Ronaldo não há segredos especiais, mas todas das precauções são poucas quando está em jogo o ceptro europeu. “Todos os adversários são perigosos e temos que estar alerta com todos, mas pensar única e exclusivamente em nós, porque se jogarmos bem e estivermos confiantes temos boas hipóteses”, concluiu.
Fonte: Uefa euro 2008
Ronaldo ponta-de-lança
Ronaldo ponta-de-lança
Começou e acabou com o Hino Nacional o treino que revelou uma novidade absoluta: um esquema de jogo alternativo, em 4-4-2 com Ronaldo como ponta-de-lança e Nani a entrar da esquerda para o meio como segundo homem na área. Uma revelação/prémio para os 12 mil portugueses que lotaram o La Maladière para assistirem ao primeiro de (pelo menos) dois treinos da Selecção Nacional abertos ao público.
O fervor pátrio, os cânticos, a histeria ajudaram a empurrar a equipa para um treino animado e que mostrou a equipa tida como titular com um futebol fluente e de bola no pé, enquanto a segunda linha apresentava um 4-4-2 pressionante e de transições rápidas, com futebol directo, como se espera vá jogar a Turquia.
Atente-se nos onzes: Amarelos - Quim; Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira; Petit, Moutinho e Deco; Ronaldo, Nuno Gomes e Simão.
Verdes - Ricardo; Miguel, Meira, Bruno Alves e Jorge Ribeiro; Quaresma, Raul Meireles, Miguel Veloso e Nani; Postiga e Hugo Almeida.
Solta, alegre, com evidente disponibilidade física para treinar nos limites, a equipa amarela usou o 4-3-3 habitual, alternando o jogo flanqueado com o interior, que beneficiava das incursões de Cristiano Ronaldo para a zona central e o aparecimento de Moutinho e/ou Deco nas zonas de finalização. Rendeu dois golos: no primeiro, Ronaldo pareceu de trás para a frente e isolou Moutinho nas costas de Bruno Alves, tendo o sportinguista assistido Nuno Gomes; no segundo, Nuno Gomes aproveitou a recarga de um tiro de Ronaldo que Ricardo não segurou.
A novidade da segunda parte - saiu Nuno Gomes, entrou Nani para jogar como segundo avançado, passando Simão a engrossar o meio-campo - mostrou um esquema de contragolpe, apoiado nos lançamentos longos e milimétricos de Deco e na velocidade dos dianteiros. Empolgante durante pouco tempo, porque Scolari procedeu a outras alterações nos onzes e Deco e Bosingwa saíram mais cedo. Ainda assim, dois golos de Hugo Almeida e um de Postiga deram a vitória (2-3) aos não titulares.
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